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pt-br:health_saude

A tradução do termo health para o português, segundo o tradutor do Google, produziria três significados: saúde, sanidade e brinde. A mais utilizada destas traduções é a primeira, saúde, que em sentido amplo, segundo o Dicionário Larousse, deriva do latim salus, utis e possui várias definições: 1. Qualidade de um ser vivo que apresenta bom funcionamento de seu organismo. 2. Conjunto de condições físicas de um organismo num certo momento. 3. Boa disposição física e mental. 4. Força física; vigor, robustez. 5. Voto que se faz a quem espirra. 6. Brinde à saúde de alguém. Além de trazer duas definições mais específicas: saúde mental, que é o estado de equilíbrio da personalidade caracterizada por boa adaptação ao meio social e boa tolerância aos desafios da vida individual e social; e saúde pública, que é a especialidade médica que estuda doenças que atingem gravemente a vida social e busca soluções para preservar e proteger a saúde dos cidadãos.

Em sentido estrito, ou seja, na definição de saúde humana, individual e coletiva, segundo Almeida Filho, em 1946 - talvez buscando uma terapêutica para o zeitgeist depressivo do pós-guerra - a Organização Mundial da Saúde reinventou o Nirvana e chamou-o de ‘saúde’: “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou incapacidade”. Porém, esta definição foi mais político-ideológica que técnico-científica. A sociedade literalmente bateu e ainda bate à porta das instituições acadêmicas e científicas que supostamente deveriam saber o que é, como se mede e como se promove essa tal de “saúde”. Traduzindo em linguagem apropriada, isso significa uma tremenda demanda epistemológica resultante de uma ampla pressão social, política, institucional e ideológica.

O conceito de ‘saúde’ constitui um dos pontos cegos paradigmáticos da ciência epidemiológica, que se aperfeiçoou no estudo do risco às patologias a que determinados grupos populacionais eram submetidos. Patologias que a clínica epistemologicamente desenvolveu, com base no estudo dos indivíduos doentes. Na verdade, em todas as disciplinas que constituem o chamado campo da saúde, nota-se um flagrante desinteresse em construir conceitualmente o objeto Saúde. Em uma perspectiva rigorosamente clínica, a Saúde não é o oposto lógico da doença e, por isso, não poderá de modo algum ser definida como “ausência de doença”, pois: “Nem todos os sujeitos sadios acham-se isentos de doença.” e “Nem todos os isentos de doença são sadios.”

O máximo de aproximação que a ciência epidemiológica tem se permitido consiste em definir Saúde como atributo do grupo de não-doentes, entre os expostos e os não-expostos a fatores de risco, em uma população definida. Na prática, a maioria dos manuais epidemiológicos é até bem menos sutil, chegando-se a definir a saúde diretamente como “ausência de doença”, ou seja, definição insuficiente onde não há uma construção epistemológica de uma “síndrome de saúde”, tendo como objeto a saúde. O desenvolvimento teórico e principalmente metodológico necessário para formalizar e aplicar propostas na análise de situações concretas de saúde ainda se mostra insuficiente. Mas pelo menos se pode reconhecer um movimento no sentido de definir pragmaticamente saúde como vida com saúde (e não, sem doença), ou seja, anos vividos com funcionalidade produtiva e social (e não, com incapacidade física ou marginalização social), o que permitiria inclusive o desenvolvimento de uma ciência paralela à patologia e à epidemiologia, a Sanologia, que teria como objeto o estudo do nível de saúde individual e coletiva.

Fontes: ALMEIDA FILHO, Naomar. O conceito de saúde: ponto-cego da epidemiologia? Rev. Bras. Epidemiol. 4 Vol. 3, Nº 1-3, 2000.

Dicionário Enciclopédico Ilustrado : Veja Larousse. – São Paulo : Editora Abril, 2006.

/home/lefisadmin/public_html/lefispedia/data/pages/pt-br/health_saude.txt · Última modificación: 2017/03/21 11:18 (editor externo)